Houve
um verdadeiro tiro de largada para a nossa classe, às 13h00, com muito barulho e
algum fumo.
À medida que nos afastávamo-nos, o vento crescia e já rondava os 20 nós.
O
rumo era para SE e, quando a noite se aproximou, trouxe uma lua cheia que
iluminava a prata o mar. Já íamos afastados umas 20 milhas e a ondulação
também aumentava, ajudada agora com ventos de 35 nós, que chegaram a 42 nós.Nestas condições, o piloto automático recusa-se a trabalhar e é preciso levar o barco à mão com muita atenção, porque ventos destes, próximos de popa rasa, prometem cambadelas violentas e eventuais estragos.
Foram os melhores momentos de vela que tive na viagem!
Pela
manhã, estávamos exaustos pela atenção e esforço exigidos com a roda de leme.
Os ventos baixaram aos 25 nós, o que significava um relativo descanso. Durante
uns dias, o vento variou raramente indo abaixo dos 12 nós, ou passando os 28. Uma ou outra
cambadela, controlada ou não, mas sem danos e aflições.
Depois,
o vento diminuiu e com ele a vaga, que passou a ser um pouco desencontrada,
fazendo com que a navegação fosse incómoda.
Passaram
por nós duas tartarugas, uma das quais parecia acenar.
A vida a bordo
continuava, com o nosso cozinheiro a preparar-nos todos os dias refeições
quentes. Almoço e jantar!
A
chegada foi ventosa, um dia depois do previsto pela organização, mas ainda dentro do tempo
limite (ainda faltavam umas 3 horas para encerrar a linha de chegada). A entrada do canal deu-nos ainda, por momentos, mais de 25 nós.
Ao
entrar na marina, houve grandes manifestações de alguns ingleses pela nossa chegada.
Faltava apenas um barco alemão e um francês, que perdeu o leme e teve de vir a
reboque de um pesqueiro.